terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Isadora não entende nada, IV

vem, meu amado, dançar comigo na sala
que ser estranhos à dois não incomoda

tudo que é vivo no mundo um dia roda
e nós girando até perder a fala

e se encontrar em tudo que s’encaixa
meus cotovelos contornam curvas tuas
no teu umbigo, rotações pelas luas
se te levanto, nada nos abaixa

quando chegar, nem bate na porta
faz algum tempo que eu não fecho ela
sei que quando chegar tu me conforta

enquanto isso danço eu sozinha
quem passa pode ver pela janela
e até pensa que sou toda minha.

Nenhum comentário:

Postar um comentário